Palavra do Bispo

Palavra do Bispo
A Palavra
Fevereiro 2016 01/02/2016
Queridos irmãos e irmãs;

Graça e paz, da parte de Deus nosso Pai,

e de Jesus Cristo, Nosso Senhor!

1. Transcorridos os dias do Natal do Senhor e o merecido descanso no tempo das férias, somos agora chamados à retomada dos trabalhos pastorais. Todo recomeço é constituído por dupla realidade. Em primeiro lugar vem marcado pelo caminho já percorrido. Como Igreja diocesana, situada na grande caminhada da Igreja universal, possuímos a bela história de fé da qual somos parte. Assim sendo, sob a guia do Espírito Santo, devemos ser gratos a Deus pelo que já vivemos enquanto comunidade de fé, aprender com o passado, beber nas fontes do Evangelho e sentirmo-nos herdeiros da bela Tradição religiosa, que fez e faz história em nossa querida Diocese de Campo Mourão.

2. Além de reconhecer o caminho já trilhado como Igreja, o recomeço das atividades pastorais nos move a olhar adiante. Descobrir no prosseguimento do empenho pastoral, expressão concreta da perseverança na adesão a Cristo, que nos deseja sempre e cada vez mais unidos a Si. Agindo assim, estaremos assumindo a condição de discípulos-missionários sob o protagonismo do Espírito Santo, que é força motriz ao anúncio da Palavra, e divino agente no processo de conversão. Com entusiasmo renovado, certos de que por Cristo somos chamados, empenhemo-nos sem reservas na missão evangelizadora, tanto em nível paroquial, quanto decanal e diocesano.

3. Além do empenho oferecido, deixemo-nos entusiasmar pela causa do Evangelho. Entusiasmar-se significa entrelaçar ação e alegria. Papa Francisco tem insistido muito sobre o tema da alegria cristã, reafirmando sempre que o encontro com Cristo produz a verdadeira alegria. Alegria que não tem sua fonte na transitoriedade do mundo, mas se origina no horizonte da eternidade, dos bens que não passam. Façamos da nossa ação pastoral e da nossa condição batismal, anúncio perene da alegria capaz de transmitir convicção, e despertar os corações endurecidos ao valor da vivência comunitária da fé, no seio da Igreja que nos acolhe como mestra e nos amamenta como mãe.

4. Vivenciamos o Jubileu Extraordinário da Misericórdia. Tempo oportuno ao renovado despertar espiritual de cada cristão em particular, e da Igreja em sua totalidade. Trilhando a senda da Misericórdia, potencializaremos a capacidade de acolher o semelhante, porque teremos feito a experiência de sermos acolhidos por Deus. Nesse sentido, maior abertura do coração àqueles que sofrem; compaixão com largueza para com os que perderam a fé, e, por conseguinte, veem desaparecer a alegria de viver; confiança decidida na promessa de Jesus, “eis que estarei convosco todos os dias…” (Mt 28,20).

5. Por tudo isso, peço aos agentes de pastorais e movimentos, sobretudo aos coordenadores, o afinco necessário para o bom andamento das atividades que dão ritmo à vida eclesial diocesana. Aos coordenadores de forma especial, solicito que abracem de fato sua missão de animadores da comunidade ou pequeno grupo. O animador deve ser o primeiro entusiasta, como nas primeiras comunidades cristãs, portador de sensibilidade que aproxima as pessoas, e responsabilidade que as ajude a descobrir o caminho a seguir. Ser coordenador é exercitar a “Mística da Comunhão”, pois é sua missão ser elo entre os diversos membros do grupo, pastoral ou movimento. Elo que possibilite a fluência dos trabalhos e abra caminhos à passagem da Palavra feita carne, abra caminhos ao encontro com o Ressuscitado. Coordenar, portanto, não é privilégio. É sim oferecer aos outros o privilégio de possuir meios facilitados à fecunda vivência da fé.

6. No Jubileu da Misericórdia, os Grupos Bíblicos de Reflexão terão o Evangelho de Lucas como base para os encontros semanais. Não por acaso, o Evangelho de Lucas é também chamado “Evangelho da Misericórdia”. Com efeito, nele o evangelista destaca a face misericordiosa de Deus, revelada na palavra e nas obras do Filho. Nos 24 capítulos do texto, reluz a ação de Jesus Cristo como raiar de novidade no horizonte humano. Ação destinada a causar estupor, maravilhamento e gratidão nos que a vivenciam. Lucas interpreta a presença do Filho de Deus no mundo em chave jubilar. Em seu discurso inaugural, repetindo as palavras de Is 61,1-2, Jesus reconhece ser sua missão “anunciar um ano da graça do Senhor” (Is 61,2). “Ano da graça do Senhor”, assim eram chamados os jubileus no Antigo Testamento, expressão conservada pela Igreja ao repropor a prática do jubileu em linguagem cristã. Aprofundemos o significado da misericórdia em Lucas, para bem vivê-la na experiência pessoal e celebrá-la com os irmãos na vida cotidiana. De fato, todo gesto autenticamente cristão de amor, caridade, responsabilidade religiosa e fidelidade a Cristo, é celebração da misericórdia operada no altar da vida de cada batizado.

7. Outro importante momento que viveremos em 2016 se dará no mês de maio, quando da visita da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Tal visita faz parte da preparação para os festejos alusivos aos 300 anos do encontro da pequena imagem, ocorrido em 1717. Para que a festa aconteça também em nossa Diocese, a imagem proveniente do Santuário Nacional percorrerá todas as paróquias. Em breve será publicada a programação oficial desta solene visita. Peço de antemão que nos aproximemos ainda mais da Virgem Maria, Mãe de Misericórdia. Nos momentos tristes e trágicos da história cristã, os fiéis encontraram na Virgem cheia de Graça porto seguro onde ancorar sua esperança. Aprendamos com os cristãos de outrora, confiando-nos também à proteção materna e sempre presente da Mãe de Deus.

8. Por fim, minha última palavra diz respeito à Quaresma, que se iniciará no dia 10 de fevereiro com a Quarta-Feira de Cinzas. A Campanha da Fraternidade Ecumênica, participada por denominações cristãs integrantes do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), tem por tema: “Casa comum, nossa responsabilidade”. E por lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24). Temática alinhada com a Encíclica Laudato sì do Papa Francisco, sobre a “Casa comum”, o meio ambiente e sua complexa situação. Quaresma é tempo de conversão e mudança de vida rumo à felicidade. Diz o hino oficial da Campanha da Fraternidade, “o saneamento de um lugar começa, por sanear o próprio coração”. Façamos isso através dos caminhos já conhecidos: Oração, Jejum e Esmola (caridade). E purificando o coração do pecado que o polui, esforcemo-nos por limpar nosso ambiente, da destruição produzida pela sociedade do descartável e do utilitário.

Desejando bom trabalho e bom ano a todos os diocesanos e pessoas de boa vontade, invoco sobre cada um a bênção de Deus, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida e de São José, padroeiro da Diocese.

Dom Francisco Javier Delvalle Paredes
Bispo de Campo Mourão – PR